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Preços das casas distanciam-se dos salários

19 de out.
2 min de leitura

Os preços das casas em Portugal subiram 16,5% num ano, enquanto os salários aumentaram 5,1%, agravando a diferença entre ambos.


Preços das casas distanciam-se dos salários

Imóveis valorizam acima dos rendimentos

Os preços das casas em Portugal registaram uma subida de 16,5% entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Em contraste, a remuneração bruta total média por trabalhador aumentou 5,1%, atingindo 1.835 euros por mês. A evolução evidencia a distância crescente entre o valor dos imóveis e os rendimentos das famílias.

Apesar de o ritmo de valorização dos imóveis estar a abrandar face ao registado em 2025, o crescimento continua bastante acima do verificado nos salários. Esta diferença dificulta a capacidade de muitas famílias para acompanhar os valores praticados no mercado e concretizar a compra de uma casa.


O desequilíbrio torna-se ainda mais evidente quando os rendimentos são analisados tendo em conta a inflação. Nesse caso, o crescimento real da remuneração média foi de apenas 1,8% no período considerado, enquanto os preços das casas avançaram 16,5%.


Diferença mantém-se há vários anos

A evolução registada no último ano enquadra-se numa tendência mais prolongada. Durante a última década, os salários cresceram 48%, enquanto os preços dos imóveis aumentaram 182%. A diferença acumulada revela uma evolução muito distinta entre os rendimentos e o custo de comprar casa.


Para as famílias que pretendem adquirir um imóvel, esta realidade pode representar uma maior dificuldade em reunir o capital necessário para a entrada e em suportar os encargos associados ao financiamento. O aumento dos preços das casas reduz, assim, a capacidade de acompanhar o mercado apenas através da evolução dos rendimentos.

Mesmo num contexto de desaceleração da valorização imobiliária, os valores atualmente praticados continuam a colocar pressão sobre quem procura comprar casa. A relação entre os preços dos imóveis e os salários permanece, por isso, determinante para avaliar o acesso à habitação em Portugal.

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